Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

Câncer de Mama

Autocompaixão: uma importante atitude no combate ao câncer de mama

24/11/2017 - A autocompaixão é um conceito baseado na Mindfulness Psychology (Psicologia da Atenção Plena), que defende que as pessoas devem tratar a si mesmas com sentimentos e atitudes semelhantes a que tratam outras pessoas em momentos de dificuldade. Para melhor compreensão, é importante entender plenamente o significado de compaixão e de mindfulness: o primeiro refere-se à empatia pelo sofrimento do outro e a vontade de superação; o segundo é a capacidade de se concentrar no momento presente, sem se aborrecer com situações desagradáveis do passado, ou seja, deixar passar. 

Também é preciso esclarecer que compaixão e autocompaixão diferem do sentimento de pena, apesar de muitas pessoas confundirem o significado dos termos. A diferença é que não se trata de piedade, mas da compreensão sobre a situação associada ao desejo de cuidado e melhora. Por sua vez, compaixão e autocompaixão são semelhantes, diferindo que a autocompaixão é voltada para si mesmo, o que costuma ser mais difícil do que com o próximo, pois é comum termos maior exigência e julgamento sobre nós mesmos. 

Quem está passando pelo tratamento contra o câncer precisa ser cuidadoso com estas “armadilhas psicológicas”, pois a necessidade que a sociedade nos impõe para que estejamos sempre alegres, felizes e satisfeitos, muitas vezes não corresponde ao nosso real estado interior e, de fato, não há problema nenhum nisso. É absolutamente normal que neste período a pessoa se encontre mais fragilizada e vulnerável, é preciso ter jogo de cintura para não permitir que o demasiado senso crítico afete mais ainda o estado emocional que, naturalmente, está sensível. 

A autocompaixão dá ferramentas para que o paciente que está enfrentando o câncer resgate a própria aceitação com o momento em que está vivendo, respeitando seus limites e estados de humor. É necessário ouvir nossas necessidades, compreender os próprios limites e permitir-se vivenciar essas dores, sem ter que aparentar estar bem o tempo todo. Esconder-se atrás de uma máscara de felicidade para satisfazer as pessoas ao redor não é saudável e pode, inclusive, atrapalhar o processo de cura. É importante manter uma postura honesta a respeito de si próprio, sem se preocupar em manter-se forte para os outros. 

Assim como a autocompaixão ajuda a lidar melhor com os momentos de sensibilidade emocional, ela também ajuda a reconhecer os momentos de real felicidade e compreender que também é possível merecer isso. Não há necessidade de se manter preso a situações desagradáveis para satisfazer aos outros. Neste momento da vida a pessoa mais importante do mundo é você. Justamente por isso, a necessidade de valorização, aceitação e cuidado consigo próprio pode fazer muito bem não só para a mente, mas também para o bem-estar geral do corpo. Viver a autocompaixão possibilita a redução do estresse e depressão, assim como atenua os sintomas de adoecimento mental e diminui a autocrítica e a sensação de isolamento. 

Não se imponha cobranças, permita-se sentir, valorize e respeite as suas necessidades e aproveite esse momento tão difícil da vida para valorizar o que realmente interessa e para se conhecer melhor. Assim, você irá perceber que os problemas que está enfrentando fazem parte de um contexto maior, próprio da nossa condição humana. 


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