Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

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Pacientes com câncer relatam dificuldades para retomar a vida

A equipe do Profissão Repórter contahistórias de pacientes que lutam por emprego e pelo auxílio-doença após teremcâncer.


10/11/2017 - A FEMAMA esteve presente, em 26/09, no painel do GoONGs no 4º Congresso Brasileiro Todos Juntos Contra o Câncer com o tema “Profissão em Perigo: Câncer e o mercado de trabalho”, moderado pelo jornalista Caco Barcellos, apresentador do jornalístico Profissão Repórter. Menos de dois meses depois, o programa do jornalista aborda o tema discutido na ocasião. Assista ao programa na íntegra clicando no link abaixo da reportagem em texto.

Moysés, Gislene, Leonir e Antônio têm a mesma coisa em comum: são pacientes de câncer. A doença que atinge quase 600 mil brasileiros por ano, fragiliza a saúde e também afasta muitas dessas pessoas de conseguir um emprego e até mesmo o auxílio-doença do INSS.

Gislene Charaba é modelo desde criança e há um ano teve câncer de mama. "Eu fazia muitos desfiles de lingerie, biquini e aconteceu o problema comigo", conta. Charaba costumava ter trabalho a semana inteira e agora, é raro quando consegue uma sessão de fotos. Sua renda caiu quase 70%.

Durante a campanha do Outubro Rosa, pela prevenção do câncer de mama, Gislene foi convidada para falar sobre a sua luta contra o câncer para um grupo de enfermeiras de um ambulatório da zona sul de São Paulo. "Eu vivi toda essa dor, eu tenho certeza, que é para ajudar mulheres, é para virar e falar assim:'eu sou aquela modelo que teve câncer de mama, que tem um retálio no peito eque tá aqui, eu estou viva.'

A espera do INSS

Nos últimos 12 meses, o INSS recebeu 80 mil pedidos de afastamento do trabalho nos postos da Previdência Social em São Paulo. Em média, a Previdência concede 45 mil afastamentos por mês, entre auxílios-doença e aposentadoria; 4% são casos de câncer.

Moysés Santos é jardineiro e tem câncer de timo, uma glândula que fica no meio do tórax e faz parte do sistema linfático, o que produz as células de defesa do organismo. O auxílio-doença dele está suspenso desde agosto.

Apesar de ter uma doença rara e não conseguir trabalhar, o INSS deu alta para ele.Moisés agora recorre da decisão. "Eu sinto muita dor, muita falta de ar,mal-estar, minha imunidade é muito baixa, não consigo trabalhar".

Santos fez uma nova perícia para conseguir o auxílio-doença e não conseguiu o benefício. Ele cuida sozinho das três filhas desde que se separou: Yasmin, de 12 anos, Vitória de 7 e Beatriz de 5 anos.

O jardineiro teve a doença em 2012 e quando o INSS deu alta para ele em 2015,Moisés voltou a trabalhar. O problema é que foi só voltar para a empresa que ele começou a se sentir mal. "Eu cheguei a desmaiar".

"Agora eu vou ter que entrar na Justiça [por ter o benefício negado], como é que eu vou viver? Eu dependo dos outros". Por estar três meses sem receber, ele deve R$ 1.800 de aluguel, mas a proprietária diz que entende.

Segundo Adriano de Uma Barbosa, chefe da perícia médica do INSS, "a nossa função não é negar o benefício, mas conceder a quem tem direito e não conceder para quem não tem".

Rio Grande do Sul é o estado com maiorincidência de câncer no país

A repórter Nathália Tavolieri acompanhou o agricultor José Leonir Faccin, que operou um câncer de pele há 10 anos. Mesmo assim, ele pode voltar a apresentara doença, mas continua trabalhando na lavoura. O médico fez um laudo ao INSS recomendando o afastamento do agricultor do trabalho no campo. A solução por ora é evitar o sol ao máximo e trabalhar à noite. "E não tem o que fazer, vamos viver do quê? Tem que trabalhar", diz.

O Instituto Nacional do Cãncer fez uma pesquisa que relaciona a predisposição do câncer de pele com o uso de agrotóxicos. De acordo com a epidemologista do INCA, Fernanda Nogueira, "30% da população avaliada, foi constatada a prédisposição ao câncer de pele. O principal fator para o câncer de pele é que tenha uma exposição solar e os agricultores,como são altamente expostos ao sol e a maioria deles utiliza agrotóxicos, provavelmente a gente pode ter um efeito sinérgio da exposição solar quanto a exposição ao agrotóxico para a doença".

A luta na Justiça

De 2016 para 2017, o número de processos contra o INSS na Justiça Federal aumentou 30% para a chance de uma nova perícia e a entrada no auxílio-doença. A Justiça faz por dia de 180 a 250 exames.

Antônio José de Oliveira é técnico em manutenção e tem câncer no abdômen e no pescoço.Ele teve o pedido negado do INSS há oito meses e vive, com a esposa e a filha de seis anos, à espera de uma nova decisão.

Simone de Oliveira, esposa de Antônio, conta que eles têm uma reserva, além de ajudada família, mas que a situação está ficando cada vez mais difícil.

O técnico diz que após entrar com o processo na Justiça Federal, a segunda perícia foi muito diferente. "Lá [no INSS] não teve exame, não teve nada,não foi como deveria. Aqui, eles fizeram todos os exames, então foi totalmente diferente."

Em nota enviada pelo INSS, o auxílio a José Antônio foi negado porque quando a doença foi descoberta, ele não estava contribuindo à Previdência. A família diz que estava. Sobre Moyses, que tem câncer de timo, o INSS diz que ele entrou comum novo recurso que será avaliado.


ASSISTA A REPORTAGEM COMPLETA


Com informações de G1 Profissão Repórter, 09/11/2017 


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