Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

Batalhadoras

Patricia Gil

25/10/2017 - Meunome é Patricia Gil e fui diagnosticada com câncer de mama em maio de 2015 aos39 anos. Quem descobriu a alteração em meio seio foi meu marido, uma retraçãono seio esquerdo na parte inferior. Sem acreditar que poderia ser algo grave,não quis buscar ajuda médica e infelizmente a hipótese de ser um câncer, jamaispassou pela minha cabeça.

Passadoalgum tempo a retração aumentou e aí eu comecei a entender que realmente aquiloestava estranho. Fui ao meu médico, que examinou meus seios e não encontrounenhum tumor. Disse que poderia ser alguma atrofia no ducto mamário, mas queseria mais seguro fazer uma mamografia. Mais uma vez, depois de ouvir um pré-diagnóstico,acreditei que não era nada, e pasmem! Não fui fazer a mamografia.

Passadosmais três meses, a retração avançou mais um pouco. Então comecei a ficar commedo e, enfim, fiz a mamografia. Em uma semana chegou o resultado, confirmadopor biópsia quinze dias depois o diagnóstico mais assustador de tudo que játinha vivido antes: carcinoma ductal Invasivo grau 1. Meu inimigo tinha nome esobrenome e sim, ele estava lá! Toda história da minha vida desde a infância sepassou pela minha cabeça em segundos e a pergunta: Como assim? Eu voumorrer? 

Depoisde um pequeno período, onde vivi um misto de sentimentos, de medo, revolta,luto e reclusão, iniciei um processo de aceitação e entendi que ninguém poderiafazer por mim o que só eu faria. Lutar! Seguir em frente. Após o décimoterceiro dia de quimioterapia, meus cabelos começaram a cair em tufos. Choreimuito, mais do que quando descobri a doença.

Decidique todos em nossa casa participariam do "ritual" para a batalha.Quando as crianças chegaram em casa, entreguei nas mãos de cada um uma tesourae em clima de festa, pedi que cortassem meus cabelos. Eu precisava incluí-losneste acontecimento, eles precisavam entender tudo aquilo e nada mais justo doque participar deste momento. Tomei um banho e diante do espelho disse paramim: Agora chega! Você já chorou, já sofreu, mas agora acabou! Você tem umcâncer para vencer! 

Funcionou!Vesti-me com as armas que tinha, fiz cirurgia, no meu caso quadrantectomia eesvaziamento axilar, quimioterapia (8) e radioterapia (33). Mesmo vivendo osdifíceis efeitos colaterais eu continuei meu dia a dia, continuei trabalhando,fazendo minha faculdade, cuidando da casa e da família. Meu marido foi um superparceiro!

Euprecisava reagir, eu devia isso a mim, por toda a minha vida e por todos que meamam. E olha que bom! Descobri que não ia morrer! Após tratamento fiqueicurada! Apenas acompanhamento e tamoxifeno uma vez por dia durante cinco anos (apesardo médico me dizer que serão mais cinco, ou seja, 10 anos no total), mas já meconsidero totalmente curada!

Duranteo tratamento algo surpreendente me aconteceu! Fui convidada para estrelar acampanha #Fortalizese, no ano de 2016, me senti muito feliz e valorizada.Principalmente por poder representar tantas mulheres que estavam passando pelomesmo que eu.

Emoutubro do mesmo ano, fui convidada pela Marcelle Medeiros, presidenteVoluntária da Fundação Laço Rosa, para ser uma Embaixadora da Fundação em MinasGerais. Apesar de ser carioca, moro em Poços de Caldas há 14 anos e em agostode 2017, inauguramos o núcleo da Fundação aqui na cidade. Sinto-me muito felize orgulhosa de poder fazer um pouquinho pela Fundação. Tento apoiar e acolheras pacientes com um trabalho de elevação da autoestima. Nosso núcleo vemganhando proporção em toda região e já temos oito voluntárias trabalhando juntoconosco pela causa. 

Queroagradecer a oportunidade de contar a minha história e quem sabe encorajartantas outras pacientes. Adoro o trabalho da FEMAMA e acompanho sempre!


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