Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

Batalhadoras

Sandra Elisabeth Silva

“Quem olha para mim jamais pensa que tenho câncer”

Meu nome é Sandra Elisabeth e atualmente tenho o câncer de mama em controle. Quem olha para mim, jamais imagina que sofro com esta doença. Tenho uma vida normal, faço absolutamente tudo: organização da casa, passeios, caminhadas, dança etc.

Vou contar um pouco da minha história: em 2012, fui diagnosticada com câncer de mama triplo negativo. Fiz mastectomia radical com esvaziamento axilar completo. O tratamento foi até 2013, quando finalmente recebi alta. Quando achava que tinha me livrado do câncer para sempre, ele simplesmente voltou.

Estava na praia, no verão de 2015, quando senti dores no corpo. À noite, morrendo de medo, sonhei que estava com câncer nos ossos. Ainda no litoral, fui plantar mudas de flor e não consegui mais levantar. Liguei imediatamente para a minha médica e pedi para realizar os exames antes da revisão periódica. Falei a elado meu medo de o câncer voltar nos ossos, pois meu pai faleceu com câncer também  nos ossos. Ela pediu alguns exames e eu os fiz. Na revisão, quando a médica abriu a porta, me disse: “Sandra, minha flor, você não está com câncer nos ossos... Mas seus pulmões estão cheios de nódulos”. Eu estava com câncer de mama metastático, ou seja, o câncer de mama havia atingido um novo órgão.

Dessa vez, o câncer de mama voltou apresentando a característica HER2+, diferente do que ocorreu em meu primeiro câncer. Foi quando minha médica informou que o melhor tratamento disponível para mim era a combinação da quimioterapia aliada aos medicamentos trastuzumabe e ao pertuzumabe.  Ela então me receitou o tratamento e foi quando meu martírio começou.

Quando solicitei a combinação terapêutica ao plano de saúde, eles negaram meu pedido alegando que não forneciam esse tratamento. Como conhecia meus direitos,acionei a justiça para obtê-lo. Esse período foi bastante difícil. Eu estava desesperada,pois por 7 meses estava fazendo apenas a quimioterapia padrão aliada ao trastuzumabe. Uma advogada ligada ao Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (IMAMA) se ofereceu para me ajudar e analisar o meu caso. Ela entrou com um novo pedido de liminar na justiça contra o plano de saúde e em 15 dias passei a receber o tratamento completo, conforme decisão do juiz.

Durante os meses seguintes recebi o tratamento completo até que fosse necessário usar apenas o trastuzumabe e o pertuzumabe a cada três semanas. A quimioterapia estava finalmente encerrada. De acordo com minha médica, devo seguir usando o tratamento com trastuzumabe e pertuzumabe por toda a vida, devido ao resultado satisfatório. Com ele, não tenho muitos efeitos colaterais. Tive sorte, pois sei que cada caso é um caso e cada corpo reage de uma forma. O máximo que acontece comigo é me sentir cansada no dia seguinte à aplicação. Consigo realizar normalmente todas as minhas atividades.

Os resultados dos meus exames estão  ótimos. Tenho a doença completamente em controle,os nódulos no meu pulmão diminuíram tanto, estão tão miudinhos, que minha médica me explicou após meu último exame que eles nem apresentariam características de tumor com esse exame fosse feito por alguém sem histórico de câncer, devido ao tamanho muito reduzido. Sinto que sou eu quem está no controle agora.

Como estou aposentada, tento me ocupar ao máximo e vivo intensamente. Dessa forma, evito pensar nos pontos negativos da doença. Sou voluntária numa das escolas em que trabalhei, participo de um grupo de danças e teatro, faço encontros com amigas e sou voluntária na instituição  que me acolheu e me ajudou quando eu mais precisei: o IMAMA.

Além do tratamento principal com o trastuzumabe e o pertuzumabe, também realizo tratamentos integrativos, como grupo de apoio, Reiki, aromaterapia,cromoterapia etc. que me auxiliam a lidar com a saúde e com a minha qualidade de vida. Utilizo as redes sociais também para encontrar apoio e força,atualizar familiares e amigos sobre a minha condição e compartilhar experiências com quem também está enfrentando a doença.

Só tenho a agradecer a Deus, minha família, meus amigos e minha equipe médica. Com todas as pessoas do "meu barco" me sinto protegida, sabendo que não estou sozinha nessa, estamos remando juntos. Não posso dizer que não sofri.Muitas vezes tive crises, recaídas, e pensei que ia morrer. Mas desistir de lutar, jamais!

Depois do câncer de mama eu renasci após ter a certeza de que a vida é finita. Hoje vivo intensamente cada minuto que me é presenteado por Deus, pois o que a gente levada vida é tão somente a vida que a gente leva.


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