Femama Batalhadoras. Todo dia uma vitória contra o câncer de mama. Marlí Marcon

Batalhadoras

Vera Maria Fedrigo Giacomello - Bento Gonçalves - RS

Este depoimento foi feito na VI Conferência Nacional de Primeiras-Damas, iniciativa da FEMAMA,  que propôs uma série de discussões sobre os Sistemas de Saúde em relação ao câncer de mama e colo de útero.      

Bom dia a todos os senhores parlamentares, Primeiras Damas, palestrantes e demais presentes. Meu nome é Vera Maria Fedrigo Giacomello, tenho 67 anos e convivo com câncer de mama há quase 27 anos.

Era o ano de 1988, eu então com 40 anos e feliz. Mas tudo mudou quando recebi o diagnóstico de câncer de mama. O chão faltou sob meus pés. Aí percebi a fragilidade da vida, mas resolvi  lutar com todas as minhas forças para poder ver minha filha, então com três anos, crescer, estudar, se formar, casar...(isto tudo já aconteceu). Na época fiz retirada do nódulo e 30 sessões de radioterapia. Fiquei bem por cinco anos, quando o câncer voltou (1993) em toda a mama. Passei, então, por uma mastectomia radical e fiz 6 sessões de quimioterapia e 6 de reforço, tomei uma medicação e fiquei bem por 8 anos. Em 2001 tive recidiva na cicatriz da axila. Nova cirurgia, nova medicação. Em 2005 , nova recidiva, também na cicatriz da axila. Nova cirurgia e, após, mais 30 sessões de radioterapia na mama já radiada e nova medicação. Cada vez tinha que ter mais força, mas eu queria e quero viver. Sempre me recuperava com qualidade de vida. Em 2011 a coisa piorou, ao meu ver, pois o câncer retornou, mas ,desta vez, na axila da mama. Novamente cirurgia para retirada dos gânglios, estando vários comprometidos. Submeti-me mais uma vez a 30 sessões de radioterapia, agora na mama e axila. Passei a usar novo medicamento.

         Em 2013, qual não foi minha surpresa ao receber o diagnóstico de câncer na órbita do olho. Retornei a 10 sessões de radioterapia, no olho. A decisão dos meus competentes médicos foi de eu realizar quimioterapia oral. Aí começa o drama  de conseguir o remédio pelo SUS. E começou a batalha judicial, pois os medicamentos prescritos não faziam parte da lista do SUS e eu não podia arcar com os custos do tratamento. Acredito que quase ninguém possa! Foi sofrido, uma vez que o Município não queria autorizar tamanha despesa, para uma única pessoa. Quando o juiz autorizou o fornecimento da medicação, todos os meses era uma angústia, até ver se iam me fornecer os remédios necessários. Houve muito desgaste emocional, que poderia ter sido evitado se o Estado liberasse tal medicação pelo SUS. Primeiramente, passei pela burocracia apresentando laudos, justificativas, exames e biópsias que comprovassem a doença, explicando a necessidade de ser AQUELES medicamentos e não outros  que o SUS  disponibilizava. 

          Em janeiro de 2015, portanto, há 4 meses retirei 2 nódulos do fígado e voltei a tomar nova medicação. Junto com isso tive diagnóstico de câncer,  agora na órbita do olho direito (o olho bom) e fiz 8 sessões de radioterapia, no mês de março deste ano. Ainda estou recuperando minha visão. Então, como vocês puderam ver muitas vezes o chão sumiu debaixo de meus pés, mas continuo indo à luta, cheia de esperança.

Hoje estou aqui com o objetivo de poder ajudar as pessoas portadoras de câncer, em especial o de MAMA, fazendo um apelo para que os avanços tecnológicos e terapêuticos estejam ao alcance de todos os pacientes que deles necessitam, sem o desgaste das cansativas batalhas judiciais, pois o paciente já está fragilizado pela doença e ainda tem que “brigar” na justiça pelo que é um direito que todos têm, que é a saúde, garantido pela Constituição Federal. Pelo meu relato podemos perceber que se o tratamento correto  for realizado na hora certa, sem espera, a sobrevida pode ser longa.

Quero destacar o importante trabalho realizado por instituições como a FEMAMA e suas ONGs associadas, que não medem esforços na defesa dos direitos de acesso aos tratamentos das pacientes, podendo, assim, ter uma boa qualidade de vida, podendo viver mais e melhor.

Espero que os senhores parlamentares e Primeiras-Damas se sensibilizem com nossa causa e promovam políticas públicas que GARANTAM o acesso aos medicamentos para o tratamento do câncer no SUS, principalmente o de mama avançado, que afeta tantas mulheres Brasil afora.

Obrigada.


Leia mais sobre o evento:

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